3 de agosto de 2017

Quando os mesmos pés cansados



Na playlist, ouço "Sandy" sem parar.

Lembra do último vídeo que eu fiz, naquele terceiro dia do mês? A trilha sonora tinha a voz dela. E o primeiro vídeo que você fez pra mim, na comemoração do nosso primeiro ano caminhando juntos. Halo, não era?

Às vezes me pergunto o porquê de você não se esvainecer da minha mente. Me pergunto, e ainda acho engraçado, porque diariamente encontro pequenas respostas que você tanto queria de mim.

"Por quê você não faz logo uma tatuagem? Você quer tanto" - dizia ele, e mas o medo do arrependimento tomava conta de mim. Você esteve presente na primeira, e segurou minha mão na hora do ardido da agulha. Hoje, são 5 (ou seis?) e ainda contando. Mas você não as conhece.

"Por quê você não vai?" - e eu fui. Uma. Duas. Três. Quatro vezes. Mas você só viu a primeira.

"Por quê você não usa?" - e eu usei. O tal do tênis, o tal do cabelo comprido e ruivo, a tal da sandália. Mas você só viu um deles.

Uma vez eu te disse que a única coisa que me prendia aqui era você... Mas a realidade era que eu precisava fugir. Correr. Desaparecer. Da dor do seu silêncio, do vão que o seu corpo deixou do lado do meu, do buraco de bala tapado as pressas com band-aids. E achei que, sumindo, teria as respostas. Mas não as tive... Pelo contrário: passei a me questionar o por quê de ter tido tanto medo de te contar a verdade.

O tempo passou. Você mudou. Eu mudei. Eu te vi. Você foi me ver. Seu cheiro mudou. Meu cheiro mudou. Você esqueceu meu chocolate favorito. Eu esqueci sua música favorita. Você se esqueceu de como era o meu abraço. Eu me esqueci da sensação que eu tinha ao escolher filmes em streams online com você. Você passou a ostentar um anel nos dedos, e eu te liguei, desejando que você soubesse o que eu dizia de verdade entre as minhas palavras... Mas você não soube. Você me disse como se sentia quando te contavam coisas sobre a minha vida, e eu não soube o que dizer. Afinal, o que estaria eu fazendo mesmo?

Por quê você não me perguntou naquela tarde? Você saberia a verdade, e talvez estivéssemos trilhando caminhos diferentes desses, de agora. Por mais que gostemos deles.

Eu procurei você em todos os cantos. Rostos. Gostos. Cheiros. Abraços e beijos. E não encontrei. E você, fez o mesmo. Talvez me procurando, ou procurando esquecer a nossa vida. Quanto à isso, não posso dizer.

Eu fui orgulhosa. Eu errei, e não te contei a verdade. Será que um dia você saberia da verdade? Você concordaria com a minha verdade? Ou me contaria a sua? E se elas fossem as mesmas? O que faríamos?

Mas ainda não compreendo o que a vida quer me dizer. Por que você não vai embora? Por que você sempre volta? E por que você fica reaparecendo no meu cotidiano, mesmo depois de tanto tempo? E por que arde em mim falar de você? Por que eu ainda sei quando você está em apuros? Por que?

Não sei se você vai ler isso. Na realidade, não sei se alguém realmente vá ler isso. Mas não podia mais guardar isso pra mim.

Eu ainda estou aqui.

"A areia nos meus olhos é a mesma que acolheu minhas pegadas [...] Meus pés cansados de lutar, meus pés cansados de fugir, os mesmos pés cansados voltam pra você".

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